sábado, 17 de março de 2012

O milagre da chuva


Um verde pasmo envolve o pasto,
no céu acende um branco vasto.


Em campo aberto, a brisa voa,
e a voz de um quero-quero ecoa.


Se corre um carro pela rua,
de bate e pronto o pó flutua.


O sapo canta um canto grave,
pedindo ao céu que a terra lave.


É quando Deus dissipa as nuvens,
e tu, milagre vivo, vens.


Teu banho alenta o que desseca,
batiza a tez da terra seca.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O último adeus

Necessito mentir,
ocultar o sentir,
ao te ver acenar
o teu último olhar,
e dizer "tudo bem"
quando nada vai bem,
sussurrar um adeus
que é "socorro, meu Deus",
e tentar não chorar.

Mas as lágrimas caem,
impossível parar,
impossível sorrir.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

À noite, perto de um pessegueiro


Uma paz tão repleta revelou-se
na serena oração do teu silêncio,
que secretas estrelas o céu trouxe,
e ao sagrado luar reverencio.

Não fala ainda, deixa o não dizer
das coisas traduzir o infinito,
guardemos nossa voz pra compreender
frases que nossas almas têm escrito.

E estrelas escondidas num celeiro,
cobertas por lençóis esbranquiçados,
podem ser encontradas e entendidas.

E as frágeis flores desse pessegueiro
sussurram que, em silêncios abraçados,
há mil frases de amor subentendidas.